Festival PhotoEspaña celebra a fotografia de Enrique Meneses

 

Numa caixa de uísque, ele escondeu os equipamentos fotográficos. Pegou um voo barato para Santiago de Cuba e não pediu táxi ao chegar ao aeroporto –entrou num ônibus normal. Com um cigarro apagado entre os lábios e uma surrada bolsa de esportes, se diluiu na multidão.

 

Enrique Meneses foi o único fotógrafo que conseguiu chegar a Sierra Maestra para acompanhar o movimento de Fidel Castro e Che Guevara rumo à histórica conquista do poder. Suas fotos, publicadas originalmente na edição de abril de 1958 da “Paris Match”, correram o mundo.

 

Ele tinha sido escalado pela revista para cobrir a construção de um túnel em Havana. Seu editor comentou que havia uma revolução em curso na ilha e que poderia ser divertido fotografar paraquedistas enganchados em árvores.

 

Meneses (1929-2013) fez muito mais. Captou o cotidiano dos guerrilheiros, suas reuniões com camponeses, suas leituras, cavalgadas, tiroteios. Os fotógrafos concorrentes, com seus equipamentos em bolsas de couro, nunca conseguiram alcançar aos acampamentos móveis dos revolucionários.

 

Parte desse trabalho do jornalista –que também registrou cenas com reis, rainhas, artistas e militantes pelos direitos humanos– está na megaexposição PhotoEspaña, que acontece em Madri e em outras sete cidades espanholas.

 

São 101 mostras reunindo obras de 395 artistas, metade deles latino-americanos. Nomes consagrados como Mario Cravo Neto, Miguel Rio Branco, Alberto Korda, Lola Álvarez Bravo, Julio Zadik e Manuel Carrillo dividem as atenções com jovens talentos das artes visuais até 30 de agosto.

 

EM CHAMAS

No Centro Cibeles, em Madri, uma fração irreverente da fotografia da América Latina se apresenta na exposição “Latin Fire”. Estão lá manifestantes contra ditaduras, militares severos, pichações em muros, casais que desafiam padrões, festas noturnas, rebeliões.

 

“Há uma alegria no espírito de sacrifício por uma sociedade melhor ou um delírio por viver sonhos apaixonados”, disseram os curadores Alexis Fabry e Maria Willis na apresentação da mostra.

 

No mesmo espaço, andares acima, uma picante e provocativa fotografia mexicana aparece em “Develar e Detonar”, com obras de vários artistas expondo as contradições e a violência do país.

 

Um pouco da história surge com vigor no trabalho da revolucionária italiana Tina Modotti, que fotografou o México no início do século 20, com ênfase na eclosão dos camponeses no cenário político. No espaço Loewe Serrano, pode-se ver também os retratos que fez do pintor mexicano Diego Rivera e do poeta russo Vladimir Maiakóvski.

 

INTENSO

No Jardim Botânico de Madri, o brasileiro Mario Cravo Neto é o destaque. Cenas de Salvador e Nova York se mesclam a retratos intensos –um deles usado para apresentar o festival como um todo.

 

Ali, entre agapantos, girassóis e parreiras, uma feirinha é ótimo lugar para fisgar ofertas de livros de fotografia. Para além das mostras, o PhotoEspaña organiza debates e oficinas didáticas. Um universo múltiplo para quem gosta de artes, estética e jornalismo.

 

Fonte: Folha de São Paulo

www.folha.com.br

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